"Se não te agradar o estylo,e o methodo, que sigo, terás paciência, porque não posso saber o teu génio, mas se lendo encontrares alguns erros, (como pode suceder, que encontres) ficar-tehey em grande obrigação se delles me advertires, para que emendando-os fique o teu gosto mais satisfeito"
Bento Morganti - Nummismologia. Lisboa, 1737. no Prólogo «A Quem Ler»

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Frenesi Loja – alguns livros com história



Um coleccionador de livros

Paulo Costa Domingos da Frenesi Loja (http://frenesilivros.blogspot.pt/) fez uma montra que divulgou junto dos seus clientes e amigos, onde se podem encontrar alguns livros de inquestionável interesse.

Claro que se trata de uma amostra muito pequena do vasto acervo que espera pela nossa pesquisa e consulta.

Mas vou então aquilo que nos interessa.

Embora não seja muito frequente, desta vez vamos encontrar uma boa proposta na temática do livro antigo, pelo que é exactamente nessa área que me vou debruçar na minha apresentação.



ERASME [DESIDERIUS ERASMUS] – L’Éloge de la Folie. Trad. do latim por M. [monsieur Nicolas] Gueudeville. Gravuras de C. Eisen. s.l. [Paris], s.i., 1771. «Nouvelle Édition, revue & corrigée fur le Texte de l’Édition de Bâle. Et ornée de nouvelles figures. Avec des notes.» (2.ª edição). 16,1 cm x 10,5 cm. 8 págs. (não numeradas) + XXIV págs. (prefácios) + 13 folhas em extra-texto (gravuras).

Profusamente ilustrado.



Encadernação antiga com lombada em pele gravada a ouro, pastas forradas a tela, bonitas vinhetas gravadas a ouro nos remates da pele. Pouco aparado. Sigla de posse (ou marca de encadernador?) ao rés da lombada: J. M. S. V.



Exemplar muito estimado; miolo limpo, papel sonante. Carimbo do livreiro-antiquário Gris y Zavala (Lima) no rodapé do frontispício. Ostenta colado no verso da pasta anterior o ex-libris de Manuel R. Pereira da Silva.

PEÇA DE COLECÇÃO
185,00€ (IVA e portes incluídos)

Tradução de referência do texto quinhentista, seguindo a edição de Basileia, escrupulosamente levada a cabo pelo antiquário Charles Patin em 1676.



CONSELHEIRO [M. M.] LISBÔA – Relação de uma Viagem a Venezuela, Nova Granada e Equador. Bruxelas, A. Lacroix, Verboeckhoven e C.ª, Editores, 1866. 1.ª edição. 23,8 cm x 15,9 cm. 394 págs. + 1 folha dupla (mapa) + 29 folhas em extra-texto (sendo seis delas desdobráveis) + 8 págs. (pauta musical).

Profusamente ilustrado.



Encadernação recente meia-francesa em pele e papel de fantasia com gravação a ouro na lombada. Conserva as capas de brochura.

Exemplar muito estimado; miolo limpo e parcialmente por abrir. Discreta rubrica de posse no canto superior direito do frontispício, pequena etiqueta de biblioteca no canto superior esquerdo da capa de brochura.

Peça de colecção com grande interesse científico.
180,00€ (IVA e portes incluídos)



Não é um livro de viagem turística. É o testemunho expedicionário de um observador que soube, por comparação, detectar a novidade nos usos e costumes, na religião, na geografia, na gastronomia, e até colher apontamento das culturas locais e das tecnologias práticas. Porque o Autor tinha em mente dar a conhecer – prioritariamente aos brasileiros – o «estado social e material dos paizes limitrophes», que, apesar de o serem, «são no Brasil inteiramente desconhecidos».



MANOEL BERNARDES, padre – Pam Partido | em pequeninos | para os pequeninos da casa | de Deos, | Breve tratado Efpiritual, em que fe inf- | true hum Fiel nos pontos principaes | da Fè, e bons coftumes | Ajuntaõ-fe hũa vifaõ notavel, que huma ferva | de Deos teve dos tormentos do Inferno, e hu- | mas Meditações fobre os Noviffimos | Compofto pelo Padre |  … | da Congregaçaõ do Oratorio de Lisboa. Lisboa Occidental, Na Officina de Miguel Rodrigues, 1726. [4.ª edição (segundo Inocêncio)]. 2 tomos (encadernados em 1 volume) (completo). 15,3 cm x 10,3 cm. 220 págs. + 2 págs. + 198 págs.

Encadernação da época inteira em pele, com nervuras e gravação a ouro na lombada. Corte marmoreado.

Exemplar em bom estado de conservação, discretos restauros à cabeça das págs. 159 a 176 sem afectar a mancha de texto; miolo limpo, papel sonante.

Dedicatória de Ayres de Carvalho na folha de resguardo do verso da capa anterior.
250,00€ (IVA e portes incluídos)



Dizem-nos António José Saraiva / Óscar Lopes (ver História da Literatura Portuguesa, 15.ª ed., Porto Editora, 1989):

«[...] Nascido de uma ligação irregular, talvez de pai judeu, recebeu ordens sacras e professou em 1674 na Congregação do Oratório de S. Filipe Néri, que o padre Bartolomeu do Quental trouxera para Portugal seis anos antes e que tão grande papel desempenhará nas reformas pedagógicas do séc. XVIII entre nós. [...]

Ideologicamente, e apesar da sua vasta informação literária e teológica, a obra de Bernardes é a de um cristão simples, sem problemas filosóficos, a quem a vergonha materna, as leituras ascéticas e o confessionário inculcaram a ideia de que o mundo secular está profundamente corrompido. Na sua prosa macia, com uma delicadeza eufemística e dir-se-ia que voluptuosa, perpassam abundantes casos que dão da mulher, mesmo da mãe, irmã ou freira, o juízo mais pessimista. Mas ao lado dessa podridão, de cujo contacto Bernardes afasta habilmente a fímbria da sua prosa imaculada, o mundo foi e é sempre, para ele, um teatro de constantes e ininterruptos prodígios miraculosos. [...]

Não se lhe pode, no entanto, contestar certa perspicácia psicológica em todas as fases dos exercícios de ascese ou de expansão mística. São sensíveis as suas afinidades com a mística quietista, pela importância que atribui à contemplação extática, embora evite as teses, entretanto condenadas, de Molinos, assim como as dos Alumbrados.

Contudo o grande mérito de Bernardes é o de artista da prosa narrativa. As explicações didácticas, as análises doutrinais que, sobretudo nos tratados ascéticos, se carregam do lastro, para nós incómodo, das citações escriturárias, patrísticas, escolásticas ou literárias, revelam já o estilista; mas é quando procura atingir o grande público através de narrativas muito chãs e impressivas, seguidas de comentários moralistas, que Bernardes revela os seus melhores dons artísticos. [...]»



MANOEL BERNARDES, padre – Luz, e Calor | Obra espiritual para os que tratam | do exercicio de virtudes, e caminho de perfeiçaõ, | dividida em duas partes. | Na primeira fe procura communicar ao entendimento Luz de muitas verdades im- | portantes, por meyo de Doutrinas, Sentenças, Induftrias, e Dictames ef- | pirituaes. Na fegunda fe procura communicar à vontade Calor do Amor | de Deos, por meyo de Exhortações, Exemplos, Meditações, Col- | loquios, e Jaculatorias. Lisboa, Na Officina Patriarcal de Francifco Luiz Ameno, 1758. 4.ª edição («Quarta impreffaõ»). 20,6 cm x 15,7 cm. 16 págs. (frontispício, dedicatórias, licenças de impressão e sumário) + 660 págs. (38 das quais com o índice remissivo).

Encadernação antiga inteira em pele, com nervuras na lombada, rótulo e gravação a ouro. Aparado, corte carminado.

Exemplar em bom estado de conservação; miolo muito fresco e, no geral, limpo. Sem sinal de traça.
A folha-de-rosto ostenta no canto inferior esquerdo pequeno desenho infantil; ao longo das margens de algumas páginas da obra, apesar de já desvanecidas, surgem ocasionais linhas de apontamento sem afectar o corpo do texto.

Dedicatória de Ayres de Carvalho na primeira folha-de-guarda.
95,00€ (IVA e portes incluídos)

Inocêncio Francisco da Silva, no seu Diccionario Bibliographico Portuguez (tomo V, Imprensa Nacional, 1860), dá fé da existência de Bernardes assim:

«Presbytero da Congregação do Oratorio de Lisboa, cuja roupeta vestiu aos trinta annos de edade, sendo já graduado pela Universidade de Coimbra nas Faculdades de Canones e Philosopbia. – N. em Lisboa a 20 de Agosto de 1644, e m. na casa do Espiritosancto, a 17 de egual mez de 1710, havendo perdido inteiramente o siso dous annos antes. [...]»



ARNOLDI VINNII – Institutionum Imperialium Commentarius Academicus, et Forensis... Gottl. Heineccius recensuit, & præfationem notulasque adjecit [junto com] Selectarum Juris Quæstionum... Veneza, Typis Antonii Graziosi, 1768. [a 1.ª edição é do século XVII)]. 4 livros em 2 tomos + 2 livros (tomo III) encadernados em 2 volumes. 23,8 cm x 19,5 cm. [XXXII págs. + 536 págs.] + [IV págs. + 452 págs. + VIII págs. + 172 págs.]

Encadernações homogéneas de época inteiras em pele mosqueada com nervuras e vinhetas gravadas a ouro nas lombadas; perderam ambos os rótulos.

Exemplares em estado muito razoável de conservação, miolo limpo.

Assinatura de posse rasurada no frontispício do tomo I
180,00€ (IVA e portes incluídos)



Obra redigida em latim, de vasto interesse jurídico. Do autor diz-nos o Diccionario Popular, historico, geographico, mythologico, biographico, artistico, bibliographico e litterario (dir. Manoel Pinheiro Chagas), 13.º vol., Typographia da Viuva Sousa Neves, Lisboa, 1884:

«[...] Jurisconsulto e professor hollandez, n. em 1588 e m. em 1657. Tendo estudado durante alguns annos a legislação romana e as leis do seu paiz, começou em 1615 a publicar alguns trabalhos sobre o direito romano, nos quaes se affastou da rotina, e em que apesar de não descobrir o systema que 150 annos depois tornou conhecidos os nomes de Hugo, Hubold e Savigny seguiu chronologicamente as mudanças da lei romana, e os seus progressos e tendencias sempre elevadas, especialmente sob o influxo do christianismo, regeitando o estudo litteral dos textos.

[...] pela sua erudição profunda e variada, pela sua eloquencia e pela sua logica severa era considerado um dos mais distinctos professores e pelo seu methodo racional, e pelas suas descobertas pessoaes era considerado superior a todos.

Vinnius que [...] os seus compatriotas tinham na conta de primeiro entre todos os jurisconsultos d’essa epoca recusou todas as honras, e não querendo nunca deixar o magisterio quando já muito cansado não podia fazer cursos regulares, presidia a conferencias em que os discipulos discutiam sob a sua presidencia, pontos difficeis de direito. [...]»



MIGUEL CARDOSO – Os Elementos da Ethica de João Gottlieb Heineccio [...]Com as suas notas, Interpretados e traduzidos, que Ao Illuftriffimo, e Excellentiffimo Senhor Fernando da Costa de Ataide e Teive de Souza Coutinho, do Confelho de Sua Mageftade, Tenente General dos feus Exercitos com o Governo das Armas da Provincia da Beira, Commendador de Rebaldeira na Ordem de S. Thiago, Senhor Donatario dos Confelhos de Baiaõ, e S. Chriftovaõ de Nogueira, e dos Foros do Lamegal, &c. &c. &c. Coimbra, Na Real Imprensa da Universidade, 1792. [1.ª edição]. 14,9 cm x 10,2 cm. 6 págs. + 232 págs.

Encadernação da época inteira em pele, sem nervuras, com discretos ferros a ouro na lombada.



Miolo em muito bom estado de conservação; extensos sinais de traça na pele tal como mostra a imagem junto.
45,00€ (IVA e portes incluídos)

Trata-se de um estudo acerca daquele que foi, na primeira metade do século XVIII, um mestre fundador da filosofia jurídica, entendida esta enquanto conjunto de princípios objectivos do Direito. Johann Gottlieb Heineccius viveu entre 1681 e 1741, e pode ser considerado o jurista de referência para a Europa.



LUIZ DE SOUZA, frei – Vida | do Veneravel | D. Fr. Bartolomeu | dos Martyres | da Ordem dos Pregadores, | Arcebifpo de Braga, Primaz das Hefpanhas. Paris, Na Officina de Antonio Boudet, Impreffor de S. M. Chriftianiffima, 1760. 2.ª edição («nova ediçaõ»). 2 tomos (completo). 20,2 cm x 13,5 cm. [XX págs. + 388 págs.] + [2 págs. + 320 págs.]

Encadernações dissemelhantes inteiras em pele, da época, com nervuras pontuadas pela gravação a ouro e rótulos também gravados a ouro.



Exemplares muito estimados; miolo limpo, papel sonante. Carimbo de posse no frontispício do tomo segundo.
320,00€ (IVA e portes incluídos)

Professo no convento dominicano de São Domingos de Benfica, frei Luís de Sousa (1555-1632) dá à estampa esta obra, de um português de alta correcção, partindo de umas notas coligidas por um outro religioso da Ordem, frei Luís Cacegas (1540 ?-1610), cronista este, vigário e superior do convento. A primeira edição da vertente obra fôra impressa em Viana por Nicolau Carvalho em 1619.

Ainda que fora desta temática, não quero deixar de referir mais estas quatro obras.

Pela qualidade das suas ilustrações temos:



aa.vv. – Album do Zé Povinho do Porto. Porto, Clube Fenianos Portuenses / Papelaria e Typographia Academica, 1908. 1.ª edição [única]. 22,2 cm x 16,8 cm. 152 págs. (quase exclusivamente impressas retro).

Profusamente ilustrado a preto e a cor.

Encadernação editorial «na casa de Alexandre Duarte Corrêa».

Exemplar muito estimado; miolo limpo e fresco.

Peça de colecção.
115,00€ (IVA e portes incluídos) [RESERVADO]



Celebra este álbum Alexandre Correia Júnior, pitoresca figura portuense que, para quase todos, aí encarnava o Carnaval e, portanto, uma espécie de Zé Povinho nortenho... Isto segundo os próprios promotores da edição. Claro que o original lisboeta foi sempre um pouco de tudo... menos carnavalesco! Terá sido, este último, um tolo, mas um tolo virado à política e à intervenção cívica.

Inclui a vertente obra colaborações plásticas, musicais e literárias, entre muitíssimas outras, de António Teixeira Lopes, Manuel Monterroso, Sebastião Magalhães Lima, Francisco Valença, João Chagas, Alonso, Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro, Sampaio (Bruno), Jaime Cortesão, etc.

Pela excelente encadernação veja-se esta:



MANUEL DA SILVA GAYO – Torturados. Porto, Livraria Chardron – De Lello & Irmão, editores, 1911. 1.ª edição. 18,6 cm x 12,6 cm. 8 págs. + 416 págs.

Encadernação de artista (não identificada, imitando o estilo de Victor Santos), inteira em pele com gravação a ouro em ambas as pastas e na lombada, tendo sido esta última acentuada por alto-relevo decorativo entre as nervuras; seixas gravadas a relevo-seco. Pouco aparado, sem capas de brochura.
Exemplar em bom estado de conservação; miolo limpo.

Ostenta colado no interior das guardas da encadernação o ex-libris de Rogélio Barros Durão.

Peça de colecção.
95,00€ (IVA e portes incluídos)

Filho do escritor liberal António da Silva Gaio, cujo romance histórico Mário bastou para que a posteridade o não pudesse esquecer, este Manuel notabilizou-se mais pelas ideias de um parnasianismo nacionalista, de um decadentismo simbolista, que partilhava com, por exemplo, António Feijó, ou Eugénio de Castro, ou Gonçalves Crespo.

E de uma das mais famosas polémicas do nosso séc. XIX refira-se esta miscelânea:



A.[LEXANDRE] HERCULANO – Eu e o Clero [miscelânea]. Lisboa, Imprensa Nacional, 1850-1851. 1.ª edição [excepto a primeira brochura (2.ª edição)]. 5 brochuras em 1 volume. 20 cm x 13,5 cm 20 págs. + 18 págs. + 68 págs. + 32 págs. + 36 págs.

Títulos individuais:

[1] Eu e o Clero – Carta ao Em.º Cardeal-Patriarca
[2] Considerações Pacificas sobre o opúsculo Eu e o Clero – Carta ao redactor do periodico A Nação
[3] Solemnia Verba – Cartas ao Senhor A. L. Magessi Tavares sobre a questão actual entre a verdade e uma parte do clero
[4] A Batalha d’Ourique e a Sciencia Arabico-Academica – Carta ao redactor da Semana
[5] Da Propriedade Litteraria e da recente convenção com França – Carta ao Senhor Visconde d’Almeida-Garrett

Encadernação da época, meia-inglesa em pele e papel de fantasia com gravação a ouro na lombada. Pouco aparado, sem as capas de brochura.

Exemplar bem conservado; miolo limpo.

Peça de colecção.
125,00€ (IVA e portes incluídos)



Estão aqui reunidas num único volume as peças essenciais de uma vastíssima polémica em torno da rejeição, por parte de Herculano, dos fundamentos milagreiros da batalha que, em 1139, travou D. Afonso Henriques nos campos de Ourique contra os sarracenos. Evento este tão estrondosamente vitorioso, de um grupo minúsculo de tropas contra um imenso exército inimigo, que levou o nosso monarca a autoproclamar-se, logo ali, rei de Portugal. José Custódio e José Manuel Garcia (Opúsculos IV, Editorial Presença, Lisboa, 1985) contextualizam o sucedido após a publicação, em 1846, do primeiro volume da História de Portugal de Herculano:

«[...] Quanto ao milagre, cavalo de batalha da questão de Ourique, Herculano afirma friamente que não há qualquer referência em que o historiador se possa estribar. O espírito positivo era adverso ao maravilhoso e ao metafísico e via nos “contadores de histórias” falsários e embusteiros que forjavam inclusive documentos para aduzir provas. Por isso “discutir todas as fábulas que se prendem à jornada de Ourique fora processo infinito”. A da aparição de Cristo ao príncipe Ibn Erick antes da batalha fundamentava-se num documento tão mal forjado “que o aluno instruído de diplomática – a ciência por excelência da crítica histórica – o rejeitaria como falso”.

Ora todos estes argumentos foram lenha para a fogueira. Podia um homem, mesmo que fosse um historiador, rejeitar assim, de um momento para o outro, todas as motivações pátrias, toda a origem sacra da realeza (e da nação), toda a fundamentação clara e inequívoca do 5.º Império? Seria possível permitir que um “ateu” mascarado viesse abalar os alicerces da afectividade pública e as esperanças mais recônditas da protecção divina?

O país em 1846 já havia mudado. A mentalidade, no entanto, ainda estava presa às forças anímicas do inconsciente colectivo. A segurança, a razão cartesiana, a clareza das ideias, a organização científica da sua fundamentação, não podiam esperar outra coisa senão uma reacção visceral de todos aqueles que viam agora no campo das letras e da cultura científica uma ruptura, digamos, epistemológica, com aquilo que lhes era mais caro: as prerrogativas intelectuais, os privilégios de influência, os ídolos do saber.

Era uma controvérsia de facto bizantina e Herculano soubera vê-la no contexto como um nada científico: “parece, na verdade, impossível que tão grosseira falsidade servisse de assunto a discussões graves” [...]

A Solemnia Verba constitui o mais importante documento da polémica de Ourique quer pela sua argumentação sólida, quer, sobretudo, pelo seu carácter teórico-metodológico. Herculano explica a situação actual da crítica histórica e analisa a sua evolução desde que ela fora fundada pela Congregação de Saint-Maur, no séc. XVII, avançando na determinação das principais regras da crítica em relação às fontes históricas. [...]»



Fora da referida polémica encontra-se a notável brochura Da Propriedade Literária, que nos mostra um intelectual contra a «literatura-mercadoria» ou «literatura-agiotagem». Ainda José Custódio e José Manuel Garcia (Opúsculos I, Editorial Presença, Lisboa, 1982):

«[...] Herculano era um escritor romântico e, ao contrário do que se pensa amiudadas vezes, o romantismo não era apenas um estilo literário. Era acima de tudo um comportamento social profundamente enraizado na função cultural do homem liberal. A literatura tem pois um lugar próprio no comportamento do intelectual como na condução formativa das novas gerações em termos de língua, de história e de valores nacionais, sociais e morais. [...]»

Termino com esta curiosidade editorial (a fazer lembrar o ecletismo da Livraria José Olympio no Brasil):



GABRIELE D’ANNUNZIO – O Triunfo da Morte. Trad. Celestino Gomes. [Capa de João Carlos (Celestino Gomes)]. Lisboa, Editorial «Gleba», L.da | Centro Tip. Colonial, 14 de Agosto de 1945. 2.ª edição.* 18,8 cm x 13 cm. 408 págs.

Encadernação de amador muito modesta inteira em tela encerada, gravação a ouro na lombada. Aparado. Conserva as capas de brochura.

Exemplar muito estimado; miolo limpo.
17,00€ (IVA e portes incluídos)

Trata-se do romance inspirador do nazi-fascismo, da autoria do homem – Gabriele d’Annunzio (1863-1938) – que lhe criou as bases filosóficas, introduzindo na Itália a legitimação de um “super-homem” nietzscheano, mas radical, amoral e violento.

* Embora o vertente editor não registe a informação, já existia este livro em português, traduzido por Amadeu Silva d’Albuquerque em 1903. Mas o mais estranho é o eclectismo ideológico da Gleba, ao ser a mesma editora do comunista ortodoxo Soeiro Pereira Gomes (?!), e de Manuel da Fonseca, e de José Cardoso Pires...


The workshop of bookbinder T. J. Cobden-Sanderson. circa 1890,
In  Illustrated London News

Boas leituras, na esperança que as escolhas sejam do vosso interesse, com votos de bom fim-de-semana.

Saudações bibliófilas

(Como sempre os descritivos e as fotografias ilustrativas são da responsabilidade e copyright do livreiro, tendo procedido apenas à sua adaptação para as normas seguidas no blogue)


domingo, 6 de agosto de 2017

Livrarias Cólofon e Manuel Ferreira – as novidades de Agosto

Mesmo em tempo de férias, e de grande calor, algumas livrarias decidiram apresentar as suas propostas para esta fase do ano.



Concretamente refiro a Livraria Manuel Ferreira situada na Rua Dr. Alves da Veiga, 89. 4000-073 Porto |Telemóvel: 910532669 / Telefone: 225363237 | Email: contacto@livrariaferreira.pt | Web: www.livrariaferreira.pt, que oferece 30% de desconto, até ao dia 31 de Agosto, promoção exclusiva na secção 'Oportunidades'. Os livros anunciados nesta secção serão diariamente renovados.

“Está de visita à cidade invicta e as suas férias têm paragem obrigatória em livraria e alfarrabistas?
Para aqueles que não conseguem tirar umas férias da sua biblioteca e aproveitam todas as oportunidades para juntar aquela peça que falta à sua colecção, sugerimos um contacto prévio à sua visita, para que antecipadamente nos seja possível seleccionar dos nossos armazéns as peças bibliográficas dos autores e temas do seu especial interesse.
Para quem prefere visitas surpresa, encontrará à sua disposição uma livraria com uma organização moderna, devidamente informatizada, onde com a nossa assistência, poderá consultar todo o nosso acervo.”

As Oportunidades podem ser consultadas aqui, mas também sugiro uma visita por estas temáticas:













Igualmente a Livraria Cólofon de Francisco Brito situada no Largo Condessa do Juncal, nº 57 4800-159 Guimarães | www.colofon.pt | colofon.pt@gmail.com| +351 919 565 452 apresentou as primeiras novidades de Agosto que podem ser consultadas aqui.



Francisco Brito destaca, da lista apresentada acima, os seguintes exemplares:



 1483 - Gandra, João Nogueira – VERSOS IMPROVISADOS EM APPLAUZO DA BEM CONHECIDA ACTRIZ DO THEATRO PORTUGUEZ JOSEFA THEREZA SOARES. OFFERECIDOS A D.J.B. E A VARIOS AMIGOS. Porto. 1811. 8 págs. 22 cm. B.

 Composição poética da autoria do célebre publicista portuense João Nogueira Granda, proprietário da Imprensa do Gandra e redactor de diversos periódicos dos quais se destaca a “Borboleta Constitucional”.

Esta composição, dedicada à actriz Josefa Teresa Soares, poderá ser dos primeiros trabalhos publicados por João Nogueira Gandra.

Exemplar não encadernado. Em bom estado, ainda que com algumas manchas de humidade.

Raro.



1454 – Fernandez-Guerra y Orbe, Don Aureliano – EL FUERO DE AVILÉS… Madrid. Imprenta Nacional. 1865. 191 págs. 27 cm. B.

“Discurso leido en la junta de la Real Academia Española para solemnizar el aniversario de su fundacion”.

Importante trabalho sobre a História Medieval espanhola.

 Contém no final do volume três fac-similes desdobráveis com “Carta-Puebla o Fueros de Avilés”, “Fueros dados a Sahagún en 1152” e “Signos de Alfonso VII”.

 Exemplar muito valorizado pela dedicatória do autor “al sabio historiador portugues” Alexandre Herculano.

 Exemplar não encadernado. Conserva as capas de brochura. Lombada com muitos sinais de desgaste e perdas. Defeito no pé da capa e nas primeiras páginas sem afectar o texto (ver imagem). Interior em bom estado.

E, como estamos num Verão bastante quente, o melhor é mesmo pegar num livro e “ir a banhos” para a praia ou, se preferirem, procurarem uma sombra acolhedora numa paisagem bem campestre e sentarem-se ao fresco!

Saudações bibliófilas.

domingo, 30 de julho de 2017

Miguel de Carvalho – o livreiro na Figueira da Foz



Pelourinho da Figueira da Foz (Portugal)
Praça General Freire de Andrade, também conhecida por Praça Velha
© anibaljosedematos.blogspot.com

Como escreveu na divulgação das novidades bibliográficas JULHO 2017 (http://www.livro-antigo.com/livros/7-2017/), em que apresenta para venda uma selecção de livros curiosos correspondendo às últimas novidades bibliográficas da livraria:

Informo que de 1 a 5 de Agosto estamos de portas abertas, em jeito de pré-abertura, na futura livraria sito na Figueira da Foz (Rua do Figueirense, 12-14) junto ao Pelourinho na Praça Velha das 15:00 às 19:30. Encontra a localização exacta na seguinte localização:



Miguel de Carvalho

Como é do conhecimento de quase todos, Miguel de Carvalho iniciou a sua actividade de livreiro antiquário em 1994 por influência do seu amigo Bernardo Trindade, filho de um dos mais antigos livreiros antiquários do país. No ano seguinte, após terminado a licenciatura em Engenharia Geológica em Lisboa, dedica-se por exclusividade à actividade de Livreiro Antiquário abrindo a sua primeira livraria em Coimbra. De uma forma geral trabalha os livros antigos que dizem respeito à Cultura Portuguesa, tendo no entanto e por paixão ao tema, enveredado pela Literatura Portuguesa do séc. XIX e XX.


Miguel de Carvalho - livreiro antiquário

No entanto, o livro antigo também está sempre muito bem representado no seu excelente acervo.
É precisamente nesta temática que eu respigo os livros presentes nesta lista de novidade.
Vamos então espreitar um pouco estes exemplares:



13557. CARVALHO, António Joaquim de – OS TOIROS, Poema heroe-Cómico. Typografia Nunesiana, Lisboa, 1796. In-8º de X-89 págs.

Encadernação coeva em carneira com dizeres em rótulo de pele na lombada. Guardas em papel marmoreado da época. Papel mantendo a sonoridade original.

PRIMEIRA EDIÇÃO.
RARO.



Observações:   

Um dos mais apreciados poemas herói-cómicos da nossa literatura que explora  o ridículo de alguns episódios tauromáquicos. É um poema em quatro cantos e é considerado o melhor trabalho deste autor conhecido como "poeta jocoso".

Inocêncio I, 159. “Presumo que fosse natural de Lisboa; porém não o affirmo por falta de noticias certas. Parece que exercera em principio a arte de cabelleireiro, a qual deixou depois pela profissão de mestre de dança. Morreu octogenario, quasi cego e pobrissimo em 1817, morador na rua do Crucifixo; e que fora sepultado na ermida da Victoria. Não declara porém a sua naturalidade, nem os annos que tinha quando morreu. Os Touros: Poema heroi comico. Ibi, na Typ. Nunesiana 1796. 8.o de X 89 pag. - Ibi, na Imp. de João Nunes Esteves 1825. 8.o de 52 pag. Este poema em quatro cantos, em oitava rima, passa entre os criticos por uma das melhores, se não pela melhor de todas as produções do auctor. Alguns chegaram até a duvidar de que fosse obra só dele, e disse se que Belchior Manuel Curvo Semedo o polira e retocara antes da impressão”

Preço:      95,00€



13845. CARVALHO, Hieronimo Ribeyro – SERMAM DA PURISSIMA E IMMACULADA CONCEIÇAM DA SEMPRE VIRGEM MARIA. Em Santa Anna, pregou-o o Doutro Hieronimo Ribeyro de Carvalho, Chantre da Sé de Coimbra, anno 1672. Na officina de Rodrigo de Carvalho Coutinho, Coimbra, 1673. In-8º de 24- (2) págs. Br.

Ostenta anotações da época em algumas páginas.

PRIMEIRA EDIÇÃO
INVULGAR

Observações:   

Sermão sobre a Imaculada concepção de Maria proferido por Jerónimo Ribeiro de Carvalho chantre da Sé de Coimbra durante o século XVII e que foi um dos principais pregadores do seu tempo.
Inocêncio III, p. 275.

Preço:      35,00€



12533. PALAFOX Y MENDOZA, Juan de – LUZ A LOS VIVOS, Y ESCARMIENTO EN LOS MUERTOS. En Madrid Por Bernardo de Villa-Diego, Madrid, 1668. In-4º de  40-380-28 págs. 



Encadernação coeva em pele com florões e dizeres gravados na lombada apresentado localmente fortes sinais de manuseamento, sem prejuízo da estrutura sólida do livro. Mancha de humidade em alguns fólios. Primeira folha com ligeira falha de papel marginal. Folha de rosto com cercadura decorada. Texto impresso em duas colunas.

MUITO RARO.


Observações:   

Obra mística, escrita por Don Juan de Palafox y Mendoza no século XVII, de grande difusão nos séculos XVII e XVIII, é considerada uma das obras religiosas mais obscuras da época pois nele se abordam os contactos de freiras com defuntos que lhes narram os seus pecados e castigos e que servem com alegorias para os leitores.

Preço:      180,00€


Embora já um pouco fora desta temática, deixo também aqui notícia sobre esta obra, que pela divulgação que este jogo de cartas teve em Portugal no séc. XIX, terá bastante interesse para os mais estudiosos deste período.



13832. TRATADO DO JOGO DO VOLTARETE, com as leis geraes do jogo. Typ. de José Baptista Morando, Lisboa, 1862. In-8º de 216 págs.



Encadernação coeva inteira de pele com dizeres a ouro e florões na lombada.

INVULGAR.



Observações:   

Livro com as regras de jogo do voltarete que era um jogo de cartas do séc. XVIII. Parece ter sido o antecedente do whist e divulgou-se um pouco por toda a Europa. Em Portugal e no Brasil conheceu franca adesão, sendo referido por Eça de Queiroz e Machado de Assis em algumas das suas obras. Era jogado por 3 parceiros, utilizando um baralho de 40 cartas, dando-se, inicialmente, 9 cartas a cada, ficando as 13 remanescentes na mesa.

 Preço:     45,00€


Livraria do Adro - Coimbra

Com esta pequena amostra do muito que poderão encontrar na livraria, fica igualmente o convite para um passeio até à Figueira da Foz sempre com local de veraneio, mas também com interesse cultural, paisagístico e gastronómico…e deslocarem-se até este novo espaço onde poderão encontrar obras de interesse para da óptima conversa com o livreiro-antiquário e poeta.

Saudações bibliófilas.

Nota: tanto os descritivos como as fotografias são da responsabilidade e copyrigth do livreiro-antiquário embora tenha feito algumas alterações para estarem de acordo com a forma habitual do blogue)

sábado, 22 de julho de 2017

Lisboa na Frenesi Loja – algumas notas à margem



Lisboa - Jardim S. Pedro de Alcântara

Numa das minhas visitas virtuais a Frenesi Loja (http://frenesilivros.blogspot.pt/) encontrei um acervo de livros sobre temática olisiponense, que como “alfacinha”, não pude deixar de consultar com atenção.

É o resultado dessa consulta que vos proponho hoje para consulta e leitura.


Alfredo de Mesquita

Alfredo de Mesquita nasceu em Angra do Heroísmo, em 1871, e faleceu em Paris, em 1931. Foi jornalista, escritor, olisipógrafo e diplomata. Colaborou com os diários Democracia Portuguesa, Nacional, Portugal, Correio Nacional.



MESQUITA, ALFREDO DE – Alfacinhas. Capa de A. Quaresma. Lisboa, Parceria António Maria Pereira – Livraria Editora, 1910. 1.ª edição. 20 cm x 13 cm.208 págs.

Capa impressa retro e verso.
Exemplar estimado; miolo limpo
Discreta assinatura de posse no frontispício.

27,00€ (IVA e portes incluídos)



MESQUITA, ALFREDO DE – A Rua do Oiro. Romance LisboetaCapa de José Leite. Lisboa, Livraria Editora Viúva Tavares Cardoso, 1905. 1.ª edição. 18,7 cm x 12,2 cm. 304 págs.



Encadernação antiga em meia-inglesa com gravação a ouro na lombada, pouco aparado, conserva a capa anterior de brochura,assinatura de posse na pág. 5.
Exemplar estimado; miolo limpo.

30,00€ (IVA e portes incluídos)


Foto de Augusto Vieira da Silva
inserida no volume I de «Dispersos» (1954)

Augusto Vieira da Silva (1869-1951). Historiador e engenheiro português. Concluiu o curso de Engenharia na Escola do Exército em 1893. Foi sócio efectivo da Associação dos Arqueólogos Portugueses, membro da Academia de História, sócio honorário e primeiro presidente do grupo Amigos de Lisboa. Foi nomeado para a Comissão de Toponímia da Câmara Municipal de Lisboa em 1943. Alguns dos seus textos foram editados sob o título Dispersos Encontra-se colaboração da sua autoria na revista Feira da Ladra (1929-1943) e na Revista Municipal (1939-1973) publicada pela Câmara Municipal de Lisboa.



SILVA, AUGUSTO VIEIRA DA – As Muralhas da Ribeira de Lisboa. Lisboa, Typographia do Commercio, 1900. 1.ª edição. 25 cm x 16,5 cm. 304 págs. + 2 desdobráveis em extra-texto, ilustrado no corpo do texto em separado.



Encadernação em meia-inglesa, elegante gravação a ouro na lombada, aparado e carminado somente à cabeça, conserva as capas de brochura.

Exemplar muito estimado, restauros na capa anterior da brochura e nos desdobráveis; miolo limpo
Ostenta colado no ante-rosto o ex-libris do médico Gilberto Monteiro e as suas iniciais gravadas na lombada.

90,00€ (IVA e portes incluídos)



BRANDÃO (DE BUARCOS), JOÃO – Tratado da Majestade, Grandeza e Abastança da Cidade de Lisboa, na 2.ª Metade do Seculo XVI. Estatistica de Lisboa de 1552. Organização de Anselmo Braamcamp Freire. Prefácio e notas de J. J. Gomes de Brito. Lisboa, Livraria Ferin, Editora, 1923. 1.ª edição. 29,5 cm x 21,3 cm. XVI págs. + 280 págs.

Impresso sobre papel superior de linho.
Exemplar em bom estado de conservação, discreto restauro na lombada; miolo irrepreensível, parcialmente por abrir.
PEÇA DE COLECÇÃO.

120,00€ (IVA e portes incluídos)

Assim termina Gomes de Brito a sua Advertência Prévia:

«[...]. Em uma palavra, João Brandão, com o seu prurido de cronista da sua Lisboa bem amada, inverteu ou não o significado dos factos que regista, classificando-os justamente ao inverso do que lhe cumpria?

Para nós, não há duas opiniões. Onde neste livro se lê “Majestade”, deveria antes lêr-se “Miseria”, onde se lê “Grandeza”, deveria lêr-se “Mesquinhez”; onde, finalmente, se lê “Abastança”, deveria lêr-se “Pobreza”.

O livro porém, aí fica, e o leitor poderá fazer o seu juizo e apreciar quanto trabalho êle custaria ao seu autor, e quantas dificuldades foi necessário vencer para o comentar e esclarecer.»



AZEVEDO, LUIZ MARINHO DE – Fundaçaõ, // Antiguidades, e Grandezas // da mui Insigne Cidade // de Lisboa, // e seus VaroensIllustres // em Santidade, Armas, e Letras// Catalogo // de feus Prelados, e mais coufasEcclefiafticas, e Politicas até // o anno de 1147, em que foi ganhada aos Mouros por El-Rey // D. Affonfo Henriques. [...] Offerecida | á Fedelissima, e Augustissima // MagestadeDel-Rey // D. Joseph I. // Nosso Senhor // por feuminimovaffallo // Manoel Antonio // Monteiro de Campos [...].Lisboa, Na Officina de Manoel Soares (I. parte) / Na Officina de Domingos Rodrigues (II. parte), 1753 (ambas as partes). [2.ª edição]. 21 cm x 15,7 cm. 2 partes [livros I e II + III e IV] enc. em 1 volume (completo)

I parte: para além da folha de ante-rosto, encasada mas não pertencente aos cadernos do miolo, tem 30 págs. (não numeradas: rosto, dedicatória, prólogo, catálogo dos autores e licenças) + 170 págs. (livro primeiro) + 118 págs. (livro II) + 2 págs. (advertência); II parte: 2 págs. (rosto) + 266 págs. (livros III e IV).



Encadernação antiga inteira em pele mosqueada com gravação a ouro na lombada, vinhetas de florália acentuando as nervuras, pouco aparado.

Exemplar em bom estado de conservação; miolo limpo, leve acidez do papel.

Ostenta na folha de ante-rosto uma assinatura de posse coeva, «He de Jeronymo Bernd.º Osorio de Castro  custou 500 reis em 24 de Junho de 1754»

Carimbos da Quinta das Lágrimas de M. Osório no frontispício da I. parte e à margem da pág. 17 da mesma
RARA PEÇA DE COLECÇÃO

750,00€ (IVA e portes incluídos)

Do Diccionario Bibliographico Portuguez (tomo XVI [Brito Aranha], Imprensa Nacional, Lisboa, 1893):

«Parece que [Luiz] Marinho [de Azevedo] foi um dos redactores das primeiras gazetas publicadas em 1640, segundo uma nota manuscripta que se lia em um numero da Gazeta de 1641 existente na bibliotheca municipal do Porto. [...]

Acerca da obra [...] primeira parte da fundação, antiguidades e grandezas da mui insigne cidade de Lisboa, etc., é necessario advertir o seguinte:

Ha d’esta obra duas edições totalmente diversas, ambas com a indicação de impressas em 1753, em 4.º.

Uma d’ellas não tem nome do impressor, e indica simplesmente no rosto: “A custa de Luiz de Moraes, mercador de livros á praça da Palha. Lisboa, 1753”. Com dedicatoria assignada por Luiz de Moraes a el-rei D. José I.

A outra tem no frontispício: “Offerecida á fidelissima e augusta magestade de el-rei D. José I por Manuel Antonio Monteiro de Campos, e á sua custa impresso”. A primeira parte, ou tomo, é impressa em Lisboa na officina de Manuel Soares, 1753; e a segunda parte impressa tambem em Lisboa por Domingos Rodrigues, 1753.

Note-se que a dedicatoria a el-rei, assignada por Manuel Antonio Monteiro de Campos é sem a menor alteração a mesma que na outra edição se lê com a assignatura de Luiz de Moraes.

Note-se igualmente que as licenças para a impressão da publicada por Monteiro de Campos tem as datas de maio e junho de 1753; e as da que publicou Moraes são datadas de setembro do mesmo anno. E, todavia, é esta ultima que se declara [erradamente] no frontispicio: “Segunda edição correcta e emendada”. A outra não tem declaração alguma, parecendo aliás que saíu primeiro. [...]

Innocencio possuía um exemplar da edição de Monteiro de Campos.

O conselheiro Figanière e Teixeira de Vasconcellos possuiam exemplares da de Moraes.

Foi este ultimo escriptor e illustre jornalista, um dos primeiros bibliophilos em notar as differenças das duas edições. [...]».

No plano cultural e científico, trata-se de uma rara descrição da história de Lisboa, com especial relevo para os estudos epigráficos, por ser testemunho de factos e fontes que o terramoto de 1755 veio destruir ou soterrar.



ANDRADE, JOSÉ SERGIO VELLOSO D’ – Memoria sobre Chafarizes, Bicas, Fontes, e Poços Públicos de Lisboa, Belem, e Muitos Logares do Termo. Lisboa, Na Imprensa Silviana, 1851. 1.ª edição. 24 cm x 16,7 cm. 8 págs. + 398 págs. + 5 desdobráveis (4 dos quais em extra-texto).



Modesta encadernação antiga em tela e papel de fantasia com rótulos na lombada, pouco aparado, sem capas de brochura.

Exemplar muito estimado; miolo limpo.
Peça de colecção.

230,00€ (IVA e portes incluídos)

«José Sergio Velloso de Andrade, Official arquivista da Camara Municipal de Lisboa, e hoje Administrador das obras das Aguas-livres, nomeado em 27 de Outubro de 1851. – N. em 1783, ao que pude colligir [...]

Esta Memoria, fruto de louvaveis e curiosas investigações, e abundante de noticias historicas e archeologicas, foi mandada imprimir á custa e por deliberação da Camara, sendo os exemplares entregues ao auctor, para d’elles dispor como lhe aprouvesse.

Segundo o que ouvi a pessoa conspicua e bem informada, o auctor aproveitou-se para ella em grande parte de subsidios que deixára preparados e dispostos o anterior archivista da Camara Joaquim AntonioLucio dos Sanctos, que tivera primeiro o pensamento de colligirtaesespecies; e foi ainda coadjuvado pelo seu collega, empregado no archivo, Francisco Xavier da Rosa.» (Fonte: Inocêncio Francisco da Silva, DiccionarioBibliographicoPortuguez, tomo V, Imprensa Nacional, 1860)


Retrato fotográfico de Júlio de Castilho

Júlio de Castilho, segundo visconde de Castilho, (Lisboa, 30 de Abril de 1840 — Lisboa, 8 de Fevereiro de 1919) foi um jornalista, poeta, escritor e político português, filho do escritor António Feliciano de Castilho. Distinguiu-se como olisipógrafo, publicando diversas obras sobre a cidade de Lisboa e juntando uma importante colecção pessoal de documentos sobre o tema, hoje depositada na Biblioteca Nacional de Lisboa.

Filho do escritor António Feliciano de Castilho e de sua segunda mulher D. Ana Carlota Xavier Vidal de Castilho e irmão do militar e político Augusto de Castilho, concluiu na Universidade de Coimbra o Curso Superior de Letras, enveredando cedo pela vida literária e pelo jornalismo, publicando poesia e diversas obras de carácter histórico e bio-bibliográfico.

Foi primeiro-oficial da Biblioteca Nacional de Lisboa, desenvolvendo aí diversos trabalhos de investigação na área da bibliografia e da biografia.

Foi correspondente literário em Lisboa do Diário Oficial do Rio de Janeiro. As suas cartas saíam nos números dos domingos, tornando-se notáveis pela variedade e escolha dos assuntos científicos e literários, e pela elegância e elevação do estilo. Ainda na area do jornalismo, colaborou em diversas publicações periódicas, nomeadamente no Arquivo Pitoresco (1857-1868), na Revista Contemporânea de Portugal e Brasil (1859-1865), Gazeta Literária do Porto (1868), O Occidente (1878-1915), Lusitânia (1914) e A semana de Lisboa (1893-1895).

As suas actividades como jornalista levaram-no a fazer uma passagem pela política, sendo nomeado governador civil da Horta em Outubro de 1877. Exerceu estas funções até Fevereiro de 1878, sendo exonerado devido à mudança de partido do Governo em Lisboa. No ano seguinte (1878) foi nomeado para o mesmo cargo, mas no distrito de Ponta Delgada, mas não chegou a tomar posse do lugar.


Júlio de Castilho na sua juventude

O título de visconde de Castilho foi-lhe concedido em verificação de vida no de seu pai, por decreto de 1 de Abril de 1873.

No ano de 1906 foi-lhe atribuída a tarefa de professor de História e de Literatura Portuguesa do Infante D. Luís. Foi também cônsul de Portugal em Zanzibar.

Foi sócio efectivo da Associação dos Arquitectos e Arqueólogos Portugueses e sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa, do Instituto de Coimbra, do Gabinete Português de Leitura de Pernambuco, do Instituto Vasco da Gama de Nova Goa e da Associação Literária Internacional de Paris.

Durante a sua passagem pelo Governo Civil da Horta foi feito sócio honorário do Grémio Literário Faialense e do Grémio Literário Artista da Horta.




CASTILHO, JULIO DE – Lisboa Antiga.Lisboa, Antiga Casa Bertrand – José Bastos, 1902 a 1904. 2.ª edição («Consideravelmente accrescentada»). 5 volumes (completo). 20 cm x 13 cm. [480 págs. + 4 folhas em extra-texto + 7 desdobráveis em extra-texto] + [408 págs. + 8 folhas em extra-texto] + [436 págs. + 19 folhas em extra-texto + 1 desdobrável em extra-texto] + [330 págs. + 7 folhas em extra-texto + 6 desdobráveis em extra-texto] + [448 págs. + 7 folhas em extra-texto].



Ilustrados no corpo do texto e em separado.
Exemplares muito estimados; miolo limpo, assinaturas de posse nos ante-rostos.

260,00€ (IVA e portes incluídos)

Os vertentes cinco volumes são a ampliação do primeiro volume da edição primitiva, datada de 1879, cingindo-se, então como agora, no objecto em estudo, ao Bairro Alto.


Mário Saa

Mário Paes da Cunha e Sá (Caldas da Rainha, 18 de Junho de 1893 — Ervedal, 23 de Janeiro de 1971) foi um escritor português.

Mário Paes da Cunha e Sá, que adoptou Mário Saa como nome literário, descendia de uma família de grandes proprietários da elite económica e social do concelho alentejano de Avis. Aquando do seu nascimento, o seu pai era notário e sub-delegado no julgado de Óbidos, vivendo nas Caldas da Rainha. Em 1895, a sua família volta para Avis e o seu pai constrói o Monte de Pero Viegas, onde Mário Saa residiu quase toda a vida. Recebeu formação no colégio de S. Fiel, em Louriçal do Campo (Beira Baixa), no Liceu de Évora e, em 1913, era aluno do Instituto Superior Técnico. Através da revista Presença (n.º 19, 1929), sabe-se que em 1917 continuaria a frequentar o IST. No ano seguinte inscreveu-se no curso Ciências Matemáticas na Universidade de Lisboa e, em 1930, no curso de Medicina da mesma Universidade, não tendo, no entanto, concluído qualquer das licenciaturas.


Mário Saa

A vida de Mário Saa repartiu-se entre a administração agrícola das suas propriedades e a investigação e produção literária. Em consonância com o perfil dos intelectuais do seu tempo dedicou-se e interessou-se por temáticas distintas publicando várias obras e numerosos artigos em periódicos. Dedicou-se à filosofia, à genealogia, à geografia antiga, à poesia, à problemática camoniana, às investigações arqueológicas, e mesmo à astrologia e à grafologia. O seu interesse pela arqueologia e a investigação que realizou sobre vias romanas deram origem à sua obra de maior importância, As Grandes Vias da Lusitânia, em seis volumes, o produto de mais de 20 anos de investigações e prospecções arqueológicas que é, ainda hoje, uma obra de referência. A par com a arqueologia, Mário Saa destacou-se, também, no panorama da poesia portuguesa das décadas de 20 e 30 do século XX, publicando com assiduidade na revista Presença e privando com os grandes poetas e intelectuais da época no âmbito da boémia literária da Brasileira do Chiado. Em 1959 colaboraria ainda no primeiro número da revista Tempo Presente.

Também se encontra colaboração da sua autoria na revista Sudoeste (1935) dirigida por Almada Negreiros.




SAA, MARIO – Origens do Bairro-Alto de Lisboa.Verdadeira Noticia.Lisboa, Edição da Solução Editora, 1929. 1.ª edição. 26,3 cm x 18,3 cm. 16 págs.

Exemplar bem conservado; miolo limpo, por abrir.

45,00€ (IVA e portes incluídos)

Continua a ser ainda hoje o mais importante estudo acerca do referido bairro (que comemora este ano os seus cinco séculos de existência), onde se lê a dado passo: «[...] O 15 de Dezembro de 1513 é a data da fundação do Bairro-Alto por corresponder á data da escritura tabelónica que iria desde logo iniciar aforamentos para construções de casas.

O nome que se lhe deu de inicio foi Vila Nova d’Andrade [...]».

E tudo quanto Saa afirma encontra-se documentado e de disponível consulta na Biblioteca da Academia das Ciências, como o próprio investigador indica em nota de contracapa. Isto numa época de rochas martins que historiavam à matroca, o mais das vezes publicitando juízos do preconceito corrente, mas sem o mínimo fundamento positivo.


Presidente do Conselho
de Ministros de Reino de Portugal Portugal
(1.ª vez)

Bernardo de Sá Nogueira de Figueiredo (Santarém, 26 de Setembro de 1795 — Lisboa, 6 de Janeiro de 1876), Moço fidalgo da Casa Real, par do reino, marechal de campo, foi um político português do tempo da Monarquia Constitucional e um importante líder do movimento setembrista em Portugal. Um dos líderes do Partido Histórico, o qual abandonou para formar o seu próprio movimento, o Partido Reformista. Assumiu diversas pastas ministerais e foi por cinco vezes presidente do Conselho de Ministros (1836 – 1837, 1837 – 1839, 1865, 1868 – 1869 e 1870), para além de presidente interino do Conselho de Ministros em substituição do Duque de Loulé (1862). Par do Reino desde 1834, foi o obreiro da abolição da escravatura em todos os territórios portugueses, por ele decretada definitivamente em 1869.


General Bernardo de Sá Nogueira de Figueiredo
(Marquês de Sá da Bandeira)

Foi primeiro barão (1833), primeiro visconde (1834) e primeiro marquês de Sá da Bandeira(1854).



SÁ DA BANDEIRA, marquês e general – Memoria sobre as Fortificações de Lisboa.Lisboa, Imprensa Nacional, 1866. 1.ª edição. 22,6 cm x 14,7 cm. 10 págs. + 116 págs.

Exemplar estimado; miolo limpo.

70,00€ (IVA e portes incluídos)

Bernardo de Sá Nogueira de Figueiredo (1795-1876), «[...] Visconde e primeiro Barão de Sá da Bandeira, Par do Reino, Moço Fidalgo da Casa Real por alvará de 21 de Agosto de 1823; Commendador da Ordem da Torre e Espada, condecorado com a Cruz de quatro campanhas da guerra peninsular, GrãoCruz das Ordens de Isabel a Catholica de Hespanha, de Leopoldo da Belgica, e do Salvador da Grecia, Grande Official da Legião de Honra de França: Ministro d’Estado Honorario, e actualmente [1858] dos Negocios da Marinha e Ultramar; Marechal de Campo; Director da Eschola do Exercito; e Presidente do Conselho Ultramarino, Socio da Acad. R. das Sc. [Academia Real das Ciências] de Lisboa etc. [...]

Foi posteriormente agraciado com o titulo de Marquez de Sá da Bandeira. É Conselheiro d’Estado effectivo, primeiro Ajudante de campo d’ElRei, e General de divisão promovido ainda com a denominação de Tenentegeneral em 21 de Septembro de 1857. Além das condecorações honorificas já mencionadas, tem as Grancruzes da Ordem de Francisco José de Austria, S. Gregorio Magno de Roma, da Rosa do Brasil, e de S. Mauricio e S. Lazaro da Italia; e a medalha n.º 9 das Campanhas da Liberdade. [...]

Neste livro, que contém mais do que o título inculca, achamse entre outras espécies históricas e relativas ao assumpto, umas Observações sobre o estado do exército portuguez, e vicissitudes por que tem passado desde 1807 [...].» (Fonte: Inocêncio Francisco da Silva, Diccionario Bibliographico Portuguez, tomos I e VIII, Imprensa Nacional, Lisboa, 1858 e 1867)


Luís Pastor de Macedo em 1954
(Foto de Claudino Madeira, Arquivo Municipal)

Luís Pastor de Macedo (Lisboa/23.02.1901 – 13.11.1971/Lisboa), nascido na antiga Freguesia da Madalena, era comerciante proprietário de uma casa de panos na Rua dos Fanqueiros que foi também um dos fundadores e organizadores do Grupo «Amigos de Lisboa», tendo redigido os seus estatutos e nela desempenhado o cargo de Secretário-Geral. É assim que na 1ª Comissão Consultiva Municipal de Toponímia de Lisboa, e do país, em 1943, Pastor de Macedo é para ela nomeado, em representação do Grupo «Amigos de Lisboa». Introduziu nesta Comissão, juntamente com o Eng.º Vieira da Silva, o debate sobre as bases segundo as quais a Comissão se orientaria. E quando em 1947 foi substituído por Durval Pires de Lima nesta Comissão de Toponímia, por ter sido nomeado Presidente Substituto da CML, continuou a comparecer várias vezes às reuniões da Comissão, tendo mesmo sugerido vários nomes de ruas, nomeadamente que ao Sítio de Alvalade fossem atribuídos nomes de artistas, bem como, alterações ao estudo de Durval Pires de Lima sobre a Toponímia de Lisboa.



Edital da Câmara Municipal de Lisboa
de 19 de Julho de 1948

Na sua carreira política foi nomeado vogal da 2.ª Comissão Administrativa da CML em 1932, durante o período da ditadura militar- já que com o golpe militar de 26 de maio de 1926 foram criadas Comissões Administrativas com o objectivo de assegurar a actividade camarária-, quando era Presidente Adriano da Costa Macedo. No ano seguinte, quando Henrique Linharesde Lima foi nomeado presidente da Comissão Administrativa foi novamente escolhido como vogal porque era alguém com «um nome respeitável no comércio de Lisboa, autor de trabalhos muito interessantes sobre arqueologia.», sendo-lhe atribuído o pelouro das edificações urbanas e exerceu este cargo até 1935, tendo sido responsável pela realização das festas da cidade em junho de 1934 e de 1935. Em 1945, foi eleito deputado à Assembleia Nacional, mandato a que renunciou em 1947, quando em abril foi nomeado Presidente Substituto da CML, cargo que como Vice-Presidente exerceu de 1949 até 1959, sendo responsável pela Comemoração do VIII Centenário da Tomada de Lisboa ao Mouros e pela edição municipal de obras de temática olisiponense, tal como fez no Grupo «Amigos de Lisboa». Foi ainda Comissário do Governo junto do Teatro Nacional de D. Maria I de 1943 a 1946.


Edital da Câmara Municipal de Lisboa
de 13 de Maio de 1949

Finalmente, Luís Pastor de Macedo foi também autor de várias obras sobre Lisboa e a sua história. Além da colaboração regular no boletim Olisipo, do Grupo «Amigos de Lisboa», contam-se entre as suas publicações O Terramoto de 1755 na Freguesia da Madalena (1929), A Igreja de Santa Maria Madalena de Lisboa (1930), A Rua das Pedras Negras (1931), O Antigo Terreiro do Trigo (1932), A Baixa Pombalina (1938), A Rua das Canastras (1939), os 5 volumes de Lisboa de Lés-a-Lés (1940-1943) e em colaboração com Gustavo de Matos Sequeira, A Nossa Lisboa (1945), bem como com Norberto de Araújo Casas da Câmara de Lisboa – do Século XII à Actualidade (1951).


Edital da Câmara Municipal de Lisboa
de 06 de Março de 1952

(Fonte: A Rua Luís Pastor de Macedo, olisipógrafo da Comissão de Toponímia e Vice-presidente da CML –  https://toponimialisboa.wordpress.com/2016/04/01/a-rua-luis-pastor-de-macedo-olisipografo-da-comissao-de-toponimica-e-vice-presidente-da-cml/)



MACEDO, LUIZ PASTOR DE – A Rua das Canastras. Subsídios para a história das serventias públicas da freguesia da Sé de Lisboa. Lisboa, s.i. [ed. Autor?], 1939. 1.ª edição
21,5 cm x 14,4 cm. 104 págs.

Exemplar estimado; miolo limpo.

20,00€ (IVA e portes incluídos)



TEIXEIRA, LUIZ – Lisboa e os Seus CronistasLisboa, Publicações Culturais da Câmara Municipal de Lisboa, 1943. 1.ª edição. 19,3 cm x 13,2 cm. 66 págs.

Exemplar muito estimado; miolo limpo.
VALORIZADO PELA DEDICATÓRIA MANUSCRITA DO AUTOR.

22,00€ (IVA e portes incluídos)

Para além da palestra proferida por Luís Teixeira no acto de entrega de um prémio literário ao escritor Luís Pastor de Macedo, é de crucial importância a longa resenha bibliográfica de «Algumas obras dos cronistas, dos estudiosos e dos poetas de Lisboa», que completa a vertente brochura, e cujas espécies nos são apresentadas distribuindo-se pelos séculos, com início no século XII.


Rua da Bica do Sapato, 1951
(Foto Eduardo Portugal)

E, com este conjunto de livros que aborda vários estudos e romances de cunho local sobre esta bela cidade de Lisboa (ou não fosse eu um apaixonado pela minha cidade natal…), me despeço com votos de um bom fim de semana.

Saudações bibliófilas


Teatro Maria Vitória no Parque Mayer em meados de 1943


Nota: Os descritivos e as fotografias dos livros apresentados são da responsabilidade e copyright de Frenesi Loja, no entanto introduzi alguma alterações na sua disposição, para estarem de acordo com a forma habitualmente aqui apresentada.