"Se não te agradar o estylo,e o methodo, que sigo, terás paciência, porque não posso saber o teu génio, mas se lendo encontrares alguns erros, (como pode suceder, que encontres) ficar-tehey em grande obrigação se delles me advertires, para que emendando-os fique o teu gosto mais satisfeito"
Bento Morganti - Nummismologia. Lisboa, 1737. no Prólogo «A Quem Ler»

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Um Feliz Natal



É Natal…

Ainda que aparentemente “ausente” nunca deixei de acompanhar o blogue, pelo que não posso deixar de agradecer a todos aqueles, que apesar do meu silêncio, continuam a ler o que fui publicando.

 
São José com o menino Jesus de Guido Reni

Para todos os leitores – tanto os novos como os da primeira data – quero expressar, nesta quadra em que e celebra o nascimento de Cristo e se aproveita para estreitar os laços familiares os meus votos de um Natal Feliz no convivio das vossas famílias.


Dia de Natal

Não vos trago nenhum livro nem nenhum catálogo brilhante – tantos que me passaram pelas mãos ou simplesmentes pela versão pdf na internet – mas apenas estes poemas de Fernando Pessoa sobre o Natal … mais do que os presentes que se trocam, por tradição, devemos conseguir viver a poesia que esta data encerra!


Fernando Pessoa (caricatura)



Natal... Na província neva.
Nos lares aconchegados,
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.

Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade!
Meu pensamento é profundo,
Estou só e sonho saudade.

E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei!


Fernando Pessoa (jovem)



O sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro de minha alma.

E é tão lento o teu soar,
Tão como triste da vida,
Que já a primeira pancada
Tem o som de repetida.

Por mais que me tanjas perto
Quando passo, sempre errante,
És para mim como um sonho.
Soas-me na alma distante.

A cada pancada tua,
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto.


O eterno fascínio do livro antigo…

Bom, e enquanto vamos buscar um livro para ler à nossa biblioteca, seja ele de uma grande raridade ou um livro que acabámos de comprar só pelo prazer da sua leitura (e não será para isso mesmo que um livro serve?), não nos esqueçamos de todos aqueles para quem a simples leitura é um acto de luxo – cada vez a sociedade se está a tornar mais desigual e onde os pobres aumentam a cada dia que passa.

Como seria tão bom que o Natal fosse sempre que o homem quisesse…

Saudações bibliófilas.


domingo, 28 de abril de 2013

4º Aniversário da Tertúlia Bibliófila – Uma justificação



Le Cabinet des chiffonniers (Cité Doré) de Madame Lecœur.
Le Monde illustré, Paris: Vallée, 1862‬, p. 280.

Celebra-se hoje mais um aniversário deste blogue e não queria deixar passar a data sem partilhar convosco algumas reflexões.

Como já verificaram os meus “escritos” foram muito poucos neste último ano.

Se é verdade que o meu tempo disponível para este tipo de escrita tem sido escasso, pois outras tarefas profissionais obrigaram-me a dedicar mais tempo a escrever muitas páginas que nada têm a ver com este espaço, verdade se diga que a vontade também não tem sido muita.

Com efeito, outros “valores” atrairam a minha atenção nestes últimos tempos: a pesquisa e recolha de peças manuscritas e documentos impressos que retratam a época que sempre me fascinou – a transição do século XVIII para o século XIX e sobretudo este último.

Aqui caberá um lugar muito especial para a Revolução Francesa e para a Guerra Civil Portuguesa (1828-1834).

 
''Prise de la Bastille''
Quadro de Jean-Pierre Louis Laurent Houel (1735-1813)
[no centro vê-se a prisão de Jourdan de René de Bernard, marquês de Laundry (1740-1789)]


A Revolução de 1824

É verdade que muitos escreveram sobre estes temas e não serei eu seguramente quem irá acrescentar alguma novidade, mas obter estes documentos da época – quer sejam manuscritos (que são textos sempre únicos embora reflictam a perspectiva e a vivência do seu autor) ou simples folhetos impressos – que retratem estes acontecimentos tem sido um fascínio para mim.

Entretanto, e finalmente, parece que chegou a Primavera e o meu terraço com as suas flores tem requerido muito da minha atenção (é sempre gratificante ver o desabrochar duma flor que se plantou com carinho e que floresce em toda a sua beleza…)


As flores do meu terraço…

Da Revolução Francesa consegui encontrar alguns documentos de que destaco pelo seu interesse:



Ouverture des Etats-Généraux 1789. Paris : De l’Imprimerie Royale, 1789. 112 pages. Document original daté du 5 mai 1789 dont le détail est précisé ci-après :
Discours du Roi sur 3 pages ;
Discours de M. le Garde des Sceaux sur 14 pages ;
Discours de M. le Directeur Général des Finances sur 83 pages ;
Etat général des revenus et des dépenses fixes sur 8 pages.

Apesar dos tempos conturbados que a França atravessou, deve realçar-se a qualidade tipográfica das Leis e Decretos que foram publicados durante este período. Como ilustrativo deixo aqui alguns exemplos das vinhetas tipográficas que encabeçavam estes documentos:












Vinhetas tipográficas

Claro que as obras clássicas sobre este tema serão sempre de leitura obrigatória.

(Aliás ler tem sido uma das minhas actividades, pois como já disse, qualquer livro da minha biblioteca só tem sentido fazer parte do seu acervo se ele me despertar o interesse pela sua leitura)

Quanto às Guerras Liberais em Portugal parece-me de grande interesse este ducumento:



EXTRACTO do princípio da Marcha que se fez contra a sublevação do Porto em 1828, offerecido a S. Exª, o Illmº, e Exmº Sr. Conde de Basto Ministro dos Negócios do Reino collumna e Exemplo dos puros e Verdadeiros Reallistas, deffensor da Monarquia Portugueza e de El Rei N. Sr. O Senhor D. Miguel 1º.- Sec. XIX. - (20) p.;19cm.-Brochura. Conserva as capas da época em papel estampado a cores.)



Trata-se de um curioso e muito interessante relatório militar sobre as actividades militares de tropas fiéis a D. Miguel comandadas pelo Brigadeiro Manuel Caetano Teixeira Pinto que depois de reunirem tropas em Coimbra postaram-se em Leiria para resistirem ás tropas rebeldes (liberais) que vinham do Porto tendo por fundo uma evidente inimizade entre o Marechal Póvoas e o Brigadeiro Teixeira Pinto. Por estes relatórios que julgo ser inédito se aquilata não só da ausência de coesão entre os dois cabos de guerra mas também da completa incompetência de algumas das chefias intermédias das tropas Miguelistas: “…. …. Não foi assim que obrarão como lhes determinou o ditto Brigadeiro [Teixeira Pinto], mas sim pelo Contrario, pois que nem na ditta marcha mandarão exploradores; e chegando a Ega não mandarão Postos avançados, nem vedetas para a frente, nem para o flanco direito, nem esquerdo, nem tampouco reconhecer o Campo, mandarão encadear os Cavallos, e ensarilhar as Armas descarregadas e tudo se meteu pellas Cazas e o mesmo Major Commandante se meteu em huma taberna. Os rebeldes que se aproveitarão deste descuido, relaxação e falta de Disciplina Militar, se aproveitarão de entrar na ditta Villa da Ega e os surpreenderão, correndo ao Sarilho das Armas, sem que por ninguém fossem pressentidos, onde foi agarrado o Major Roque na ditta taberna e foi acutillado pelos Rebeldes e tudo o que não foi prizioneiro, fugio...” , termina concluindo: “Muitas faltas mais se podiam narrar como foi, nem a ditta Divizão, nem as Brigadas tiverão nunca Pólvora de reserva e só apenas a que se trazia nas Cartuxeiras, mas a Providencia Divina socorreu esta Divizão, e os puros e fieis vassallos do melhor dos Reis, o Sr. D. Miguel 1º que Deos Guarde.” .

(Este opúsculo merece uma apresentação mais detalhada mas não me parece ser esta a ocasião mais oportuna...)

Claro que neste espaço de tempo, muitos catálogos de algumas livrarias me foram enviados sem que eu, como é habitual, deles tenha dado notícia.


Salon international du livre ancien, de l'estampe et du dessin à Paris
(26-28 avril de 2013)

Sem pretender colmatar esta lacuna faço referência a alguns deles (até porque muitos foram elaborados para esse acontecimente de grande importância a nível mundial que é o Salon international du livre ancien, de l'estampe et du dessin que decorreu de 26 a 28 deste mês em Paris).

Eis alguns desses catálogos:


Livraria Castro e Silva


Librairie Camille Sourget

 
Librairie le Feu Follet

Esta Livraria de Paris editou mais dois catálogos para Maio de 2013:


Librairie le Feu Follet


Librairie le Feu Follet

E, por último, acabou de sair mais um dos excelentes catálogos da Bauman Rare Books dos USA.


Bauman Rare Books

Antes de terminar gostaria de vos deixar com a leitura desta carta, que não sendo propriamente dum bibliófilo, pois que se trata de uma biblioteca de índole profissional, mas que nos esclarece como se negociavam os livros no séc. XVIII e como o seu autor revela um particular interesse em conseguir obter um livro em falta na mesma bem como na personalização das obras adquiridas.



Lettre avec correspondance signée le chevalier de BONNEVAL du Havre (Normandie), ingénieur ordinaire du roi, datée du 22 septembre 1738, adressée à M. Claude Antoine Jombert – marchand Libraire à PARIS.





Resta-me agradecer a todos aqueles que ainda têm paciência para continuarem a ler aquilo que vou “escrevinhando”, pois é precisamente por sua causa que este espaço ainda subsiste.

O meu muito obrigado a todos vós.

Saudações bibliófilas.


quinta-feira, 28 de março de 2013

Livraria Manuel Ferreira – Leilão da Biblioteca de José Joaquim Pereira de Lima




A Livraria Manuel Ferreira do Porto vai realizar o leilão da Biblioteca de José Joaquim Pereira de Lima na Junta de Freguesia do Bonfim – Campo 24 de Agosto no Porto, como já é habitual, de 17 a 20 de Abril.

Os livros estarão em exposição, para consulta, de 15 a 19 de Abril realizando-se o leilão, nos dias acima referidos, pela ordem seguinte:

17 de Abril – a partir das 21:00 horas: lotes 1 a 329
18 de Abril – a partir das 21:0 horas: lotes 330 a 663
19 de Abril – a partir das 21:00 horas: lotes 664 a 976
20 de Abril – a partir das 15:00 horas: lotes 977 a 1314

Para nos esclarecer que tipo de biblioteca é esta bem como o longo processo da sua constituição nada melhor do que lermos o Prefácio do Catálogo escrito por Henrique Luís Gomes de Araújo:





E, por fim, resta a vossa leitura atenta deste catálogo para poderem ajuizar da importância deste precioso acervo que vai a leilão, e porque não, para licitarem alguma das suas obras.




Saudações bibliófilas.


domingo, 17 de março de 2013

Ultimas novidades bibliófilas – Alguns catálogos de livrarias




Jean de LA FONTAINE – Fables choisies (ou) Choix de fables de La Fontaine illustrées par un groupe des meilleurs artistes de Tokio, sous la direction de P. Barboutau. Imprimerie de Tsoukidji-Tokio [Tôkyô Tsukiji kappan seizôsho] pour E. Flammarion, Tokyo, 1894, 19,8x15cm, cousu.



Edition originale et premier tirage de ce célèbre ouvrage illustré de 28 estampes hors-texte en couleurs en double-page par Kajita Hanko, Kano Tomonobu, Okakura Shusui, Kawanabe Kyosui et Eda Mahiko, et de nombreuses vignettes en noir dans le texte. Un des 200 exemplaires sur papier Hô-sho, seul grand papier avec 150 Tori-no-ko, le nôtre non justifié.

Plat du second tome très légèrement frotté sinon très beaux exemplaires d'une grande fraicheur.





"Imprimée sur papier de hôsho , une espèce du kôzo, cette curieuse édition en deux volumes des Fables choisies de La Fontaine appartient à un genre de « livres sur papier crépon » (chirimen-bon ) publiés à Tokyo entre 1885 et le début du XXeme siècle à l’intention d’une clientèle occidentale sur place, mais aussi et surtout pour l’exportation. C’est en collaborant avec des Européens et des Américains que plusieurs éditeurs japonais ont produit ces livres illustrés de gravures sur bois qui parurent en une dizaine de langues occidentales, notamment en anglais, allemand et français. Parmi ces publications, nombreux étaient les livres de contes populaires du Japon. Le papier de hôsho était le meilleur pour l’impression polychrome. Le procédé du « papier crépon » (chirimen-gami) fut employé dans l’estampe dès le début du XIXe siècle. Le brochage utilisé ici est désigné sous le nom de yamato-toji . Il découle du brochage d’origine chinoise dit fukuro-toji, mais en diffère par les deux nœuds qui apparaissent sur la couverture." (BnF, Manuscrits orientaux, Smith-Lesouëf japonais 256)
(In Catalogue 81 – Littérature/mars 2013 – Le Feu Follet)

Apresento-vos sumariamente os últimos catálogos que me foram enviados por várias livrarias, tanto nacionais como estrangeiras, com livros abrangendo diversas temáticas e algumas com preços que posso considerar ao alcance das nossas bolsas nestes momentos de crise financeira que atravessamos.

Pelo que tenho constatado a “crise financeira” não se tem refectido muito nos preços atingidos por obras de raridade, qualidade da impressão/ilustração ou mesmo pela sua encadernação nas vendas que tenho acompanhado.
(basta dar uma espreitadela na eBay).

Começo esta minha digressão pela Livraria Antiquária do Calhariz de Lisboa, que nos apresenta um bom lote de livros sopbre temáticas bem diversificadas e com preços que “não assustam o bibliófilo”!






18º Boletim Bibliográfico

A Librairie L'intersigne Livres anciens de Alain Marchiset localizada no 66 rue du Cherche-midi, Paris apresenta o seu Catalogue Livres Choisis n°132.

Trata-se de um catálogo «de livres anciens et rares de littérature, philosophie, curiosa, sexologie, romans noirs, fantastique, économie politique, histoire, voyages, ethnographie, atlas, curiosités, chansons, jeux...», no qual a qualidade e a raridade se entrelaçam muito bem.



Exceptionnel exemplaire avec deux états des gravures



18- GAVARNI et J. MERY. Perles et Parures, Les Joyaux, fantaisie par Gavarni, texte par Méry. Minéralogie des dames par le Cte Foelix. - suivi de: Les Parures, fantaisie par Gavarni, texte par Méry. Histoire de la mode par le Cte Foelix. Paris, G. de Gonet, Martinon, Vve L. Janet, à Leipzig, chez Ch. Twietmeyer, (1850), 2 vol. gd in 8°, de 300pp. & 316pp., avec un frontispice répété et 30 ravissantes planches gravées sur acier par Geoffroy h. t. d'après Gavarni le tout finement aquarellé, augmenté d'un second état des planches en noir, demi-maroquin brun à coins, dos orné et mosaïqué d'une rose claire, t. dorée, couv. ill. et dos cons., ainsi que le prospectus de souscription de 4pp. sur papier bleu pour chaque volume, (V. Champs). Exceptionnel exemplaire de tête dans le tirage de luxe sur papier vélin et avec deux états des planches, un état aquarellé tiré dans de beaux encadrements gaufrés et découpés en dentelle, et un état en noir tiré sur chine collé, qq. infimes rousseurs dans les marges des dentelles sinon très bel exemplaire à toutes marges finement relié avec les couvertures et le prospectus.



Exemplaire de luxe du premier tirage, imprimé sur vélin avec un double état des planches.

¶ Carteret III, 461 "La réunion des deux ouvrages avec les gravures à marges de dentelles est assez rare à rencontrer" - Brivois, pp. 318-9 - Vicaire V.771 "les planches sont tirées sur chine monté... il y a des ex. sur papier vélin coloriés et découpés en dentelle.." (Vicaire ne signale qu'un seul ex. avec deux états des planches, aussi relié par Champs)



24- MONNIER (Henri). Scènes populaires, dessinées à la plume, 4e édition. Paris, Librairie de Dumont, 1836, 2 vol. in 8°, de 4ff. 375pp. & 2ff. 359pp., ill. de nbr. Vignettes sur bois d'Henri Monnier in t., Exemplaire exceptionnel sur papier de Hollande fin à grandes marges, truffé des 6 lithographies aquarellées de l'édition de 1830, d'une longue lettre autogr. signée de H. Monnier adressée à M. Ferville artiste dramatique ayant surtout exercé au Gymnase et à l'Odéon (2pp. in 8°), ainsi que du portrait et de la signature de M. Prudhomme (qui ne figure pas dans ce tirage), et enfin un portrait de M. Prudhomme; relié en 2 vol. demi veau blond époque, dos orné lég. frotté, couv. cons. (ex-libris gravé A. Hénin, orfèvre à Paris fin XIXe) (24).



Retirage de la 3e édition de 1835 des célèbres physionomies contemporaines de Monnier. Une suite paraîtra en 1839.

¶ Vicaire V. 1007 (ne signale aucun grand papier)

A Librairie Le Feu Follet da 31 rue Henri Barbusse em Paris apresentou o seu novo catálogo «d'éditions originales, envois d'auteur, grands papiers en littérature».
É sempre com redobrado prazer que se folheia este catálogo onde poderemos encontrar alguns exemplares que nos entusiasmam…pena é que por vezes “a bolsa seja demasiado curta” para a sua aquisição.



Emile ZOLA – La bête humaine. Charpentier & Cie, Paris, 1890, 12x19cm, relié. Autographe.





Edition originale sur papier courant.
Reliure à la bradel en demi maroquin indigo, dos lisse orné d'un motif floral doré, date dorée en queue, plats de papier marbré, tête dorée, couvertures conservées, reliure de l'époque signée de Féchoz.



Envoi autographe signé de l'auteur à Auguste Marcade.
Bel exemplaire sans mention et agréablement établi.

Enquanto o tempo me escasseia para vos oferecer outros textos de análise e divulgação mais detalhados, não quero perder a oportunidade de vos manter informados sobre aquilo que se vai publicando em termos de catálogos que são sempre um fonte de informações preciosas para melhorarmos os nossos conhecimentos.

Saudações bibliófilas.


sábado, 9 de março de 2013

Libri Antichi e di Pregio a Milano - Palazzo Giureconsulti, 15-17 marzo 2013



Libri Antichi e di Pregio – Cartaz

A propósito deste evento bibliófilo – Libri Antichi e di Pregio a Milano – que vai decorrer no Palazzo Giureconsulti em Milão de 15 a 17 de março, deixo aqui este breve apontamento.


Palazzo Giureconsulti

A Livraria Castro e Silva de Lisboa, como vem sendo hábito neste tipo de salões e mostras internacionais, estará presente e elaborou uma selecção de obras raras a apresentar na feira a qual poderá ser consultada aqui.

 
Livraria Castro e Silva

Não quero ser exaustivo, pois este é um simples apontamento sobre a sua presença nesta mostra do livro antigo, pelo que refiro apenas estas três obras, que escolhi propositadamente por terem sido impressas em Itália:



DAMIÃO DE ODEMIRA, Pedro. ou Damião português. LIBRO DA IMPARARE GIOCARE à Scachi, Et de bellissimi Partiti, Reuisti & recoretti, & com Suma diligentia da molti famosissimi Giocatori emendati. In língua Spagnola, & Taliana, nouamente Stampato. S/l. [Roma?] S/d. [circa 1524] In 16.º de 13,5x9,5 cm. Com 64 fólios.



Encadernação recente em pergaminho da época flexível. Cortes dourados por folhas. Ilustrado com uma gravura xilográfica na folha de rosto representando dois jogadores de xadrez, pequenas gravuras no texto com as diferentes peças que compõem o jogo e 92 gravuras intercaladas no texto, representado o tabuleiro com diferentes jogadas.

Obra escrita em italiano e castelhano.



Impressão em caracteres góticos rotundos, com exceção da folha de rosto que é impressa com caracteres rotundos.

Exemplar um pouco aparado à cabeça e com leves manchas de humidade na folha de rosto.

Proveniência: exemplar com ex-libris heráldico “The Right Hon. Charles Lord Halifax 1720, no verso da folha de rosto e selo em branco de Luiz Sarrea. Na folha guarda anterior etiqueta comercial “Paris en vente chez Jean Preti. Trata-se de uma das raríssimas cinco edições publicadas sem nome de autor, impressor ou data, distingue-se das outras por ser a única impressa em gótico. A primeira edição publicou-se em Roma no ano de 1512.



Pedro Damião de Odemira, de quem ao certo muito pouco sabemos, era ao que parece Boticário em Odemira e refugiou-se em Roma, aquando da expulsão dos judeus de Portugal no tempo de D. Manuel I. Foi o primeiro autor a compor um tratado de iniciação ao xadrez.

A obra contem um capítulo sobre jogar xadrez com os olhos vendados. Famoso em toda a Europa, foi convidado das principais cortes europeias para exibir os seus dotes de xadrezista, sendo o jogo do xadrez na sua época considerado digno de ser praticado pela nobreza.

Leite Faria 308.



LAS CASAS, Bartolomeu de. ISTORIA ò breuissima relatione DELLA DISTRVTTIONE dell’Indie Occidentali DI MONSIG. REVERENDISS. Don Bartolomeo dale Case, ò Casaus, Siuigliano dell’ Ordine de’ Predicatori; & Vescouo di Chiapa Città Regale nell’ Indie. CONFORME AL SVO VERO ORIGINALE Spagnuolo, già stampato in Siuiglia. Tradotta in Italiano dall’ Eccell. Sig. Giacomo Castellani già sotto nome di Francesco Bersabita. IN VENETIA Presso Marco Ginammi. M DC XXX. [1630]. In 4.º de 20x14 cm. com [xvi], 150, [ii] pags.



Encadernação da época em pergaminho flexível.

Terceira edição espanhola (a primeira foi publicada em 1552) e segunda italiana (a primeira foi publicada em 1626).

Edição bilingue castelhano-italiano traduzida para italiano por Giacomo Castellani. Impressão a duas colunas adornada com bela marca tipográfica gravada na folha de rosto, vinhetas e capitulares.



Obra fundamental para a história da colonização hispânica da América. Las Casas foi o primeiro autor a relatar as chacinas dos conquistadores e a defender os direitos dos índios americanos, fundando o conceito a que atualmente chama-mos direitos humanos. Esta obra foi muito divulgada e publicada (de forma interesseira) em países europeus que não descobriram a América, mas que mais tarde a colonizaram.

«This is one of the most gruesome books ever written, and one of the boldest works that ever issued from the press. It gives a short account of the cruelties of the Spaniards in each of the colonies, including Jamaica, Trinidad, Florida, Rio de la Plata and Peru.»

Graesse, p. 60-61. Sabin 11243. Palau 46955. Brunet ne cite que l'édition de 1630.



RAIMONDI, Eugenio. DELLE CACCIE DI EUGENIO RAIMONDI BRESCIANO LIBRI QUATTRO AGGIUNTOUI 'N QUESTA NUOUA 'MPRESSIONE IL QUINTO LIBRO DELLA VILLA. IN NAPOLI, PER Lazaro Scoriggio. M. DC. XXXVI. [1626]. In 4.º de 20,5x14,5 cm. Com [lvi], 635 pags. Ilustrado com frontispício gravado e 19 gravuras (8 são repetidas) com cenas venatórios.



Encadernação da época em pergaminho flexível.





Exemplar com ex-líbris de Salema Garção.

Saudações bibliófilas.